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Curso Livre: Anima

Currículo

  • 3 Sections
  • 18 Lessons
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  • Abertura
    1
    • 1.1
      Boas Vindas
  • Jornada
    13
    • 2.1
      Ella: A que brilha
    • 2.2
      Culto da Terra e do Tempo
    • 2.3
      Ecos vivos dos escombros
    • 2.4
      Xamanismo Ibérico não é revivalismo
    • 2.5
      As Senhoras dos Caminhos
    • 2.6
      Brigid a Brilhante e desconcertante
    • 2.7
      A raiva construtiva: Introdução a Turibriga
    • 2.8
      A espada, o espelho e a folha
    • 2.9
      Quem abraçará a Morte?
    • 2.10
      A prática da Esperança
    • 2.11
      Para florescer é preciso morrer primeiro
    • 2.12
      Considerações animistas sobre a lenda Arturiana
    • 2.13
      A Velha Mulher na Caverna torna-se um Pássaro
  • Fecho
    4
    • 3.1
      Sou Bruxa
    • 3.2
      Repor mais do que retiramos
    • 3.3
      Bare Heart on Earth
    • 3.4
      Ode ao Chão da Floresta

Culto da Terra e do Tempo

O culto das Senhoras e dos Senhores em Portugal, atrevo-me a dizer, por defeito de origem, particularmente nas Beiras, é uma extraordinária forma de resiliência.
Vemos Senhoras e Senhores cujo nome próprio é a qualidade telúrica que são e representam.
Se por um lado assim os velhos Deuses se mantiveram vivos na psyche colectiva e nos cultos, por outro lado estas forças telúricas, na sua qualidade primeva, antecedem a criação do nome próprio e levam-nos a um tempo original na humanidade onde o som das forças vivas é a emanação da palavra e do nome. Sendo assim o nome a voz directa do que é representado, sem sombra de símbolo.
É um culto profundamente xamânico, que terá certamente uma origem contínua embora em constante transformação, nos primeiros povos que aqui passaram e aqui tinham seu lar. A sua sincretização com o cristianismo testemunha a sua tremenda força e impossibilidade, por isso mesmo, da erradicação destes cultos.
As mesmas senhoras e senhores podem ser vistos em diferentes lugares do território, o que nos sugere não só a observação empírica das mesmas forças mas também o nomadismo, a mais tardia transumância e as deslocações de gentes.

A Senhora e o Senhor da Boa Morte são então necessariamente, nomeados com letra maiúscula.
Boa Morte é o fenómeno que testemunhamos perante a vida orgânica, da qual somos parte indissociável.
Em tempos ancestrais, o ano tinha apenas uma divisão sazonal dual: a estação verde, quente, diurna e a estação negra, fria, nocturna.
Por altura do actual dia de finados os antigos celtas celebravam Samhain, que significa literalmente o fim do Verão.
Nesta divisão dual temos duas forças fulcrais em acção sobre toda a vida vegetal : a Ascensão, que determina os processos de geminação, florescimento, crescimento, frutificação e amadurecimento e que é o erguer da vida do chão em direcção ao Sol; a Descida, depois do fruto maduro há a colheita ou a queda, a fermentação, a decomposição, a compostagem que cria novo solo e revela a semente. Esta podridão fértil vem acompanhada de muita vida florestal, que para os antigos povos garantia a olho nú, certamente, a transformação das matérias mortas e podres em nova vida e portanto atestava concretamente o fenómeno da reencarnação que é a nova sementeira que com ou sem mão humana a Natureza traz.
A relação do Corpo e da Terra é intricada, constante, visceral, sobretudo, absolutamente concreta.
Tudo tem Espírito, ouvir o espírito em tudo é a nossa grande tarefa de crescimento interno. Tão mais árdua quanto menos humana seja a linguagem do elemento que escutamos. 

Na Boa Morte, a senhora recebe o corpo decomposto do Deus Verde. Ela é a Terra que o acolhe, tal como nos mistérios de Isis e Osiris (tão presentes na nossa ancestralidade e paisagem), dos fragmentos mortos de novo forja unidade e vida.
Para além desta dimensão telúrica, há a dimensão cósmica em que a Senhora da Boa Morte é a noite infinita e universal que recolhe no seu ventre o velho Sol e o transformará num Sol renovado que depois da metade do ano descendente ( entre Solstício de Verão e Solstício de Inverno) irá iniciar a Ascensão ( entre Solstício de Inverno e Solstício de Verão).
Aqui há preciosos ensinamentos acerca da cadência da vida humana, suas idades e jornadas cíclicas e como as viver. 

As Senhoras e Senhores recebem nesta jornada outros nomes, consoante a fase do ano que se vive ou a jornada psico- emocional enquanto iniciática, sendo a iniciação uma preparação para vida interior e auto-conhecimento; bem como para a vida relacional, familiar, comunitária, com a rede de relações vivas não humanas da qual somos parte. 

Aqui podemos então ver  a porção de subversão que os cultos sofreram no seu sincretismo cristão.
Todo o xamanismo ou paganismo é sobre relação dinâmica e inalienável entre nós, as nossas distintas parte e as forças da natureza. É uma comunicação constante, semelhante e ao mesmo tempo única para cada um.
A obediência será a tóxica antítese, que fornece mestres para a relação e não a relação como mestria. Fornece a forma que define, segrega e imputa o que é ou não admissível e deixa de fora o que não convém à instituição vigente.
Paganismo ou xamanismo são um culto à liberdade e comunhão criativa com as forças da vida. Falam de sermos criados por Deuses e também de criarmos Deuses como pontes para a comunhão com a Vida Sagrada, imanente e transcendente. Transcendente porque maior que nós, não transcendental porque é insuperável.
A obediência é a morte da inter-conexão consciente sem a qual não temos propósito, pertença ou saúde mental, social, ecológica. 

Expropriar o paganismo ou xamanismo da sua dimensão política é uma acto de ignorância, desrespeito e irresponsabilidade. Porque claramente, estes apontam para as Forças Naturais como sendo a Divindade concreta e testemunhável no desenrolar da vida e morte orgânicos. Afere uma espiritualidade onde tudo é energia : espírito e matéria, aliás, espírito enquanto matéria.
A sua dimensão espiritual comporta a Terra e o universo, a Divindade visível e invisível. Estas forças naturais são vastamente maiores do que as humanas, no entanto, somos parte delas. Elas são – nos imanentes e são também transcendentes.
Assim, entendemos o bosque e a paisagem natural como Templo vivo e isso por si só desvaloriza toda e qualquer hierarquia e instituição humana. Um templo vivo em constante transformação é o fim de qualquer apologia do fixo, rígido e imutável.
Os povos celtas acreditavam que nenhum lugar sagrado pode ser construído por mãos humanas, os seus monumentos de pedra integravam- se na paisagem, no entanto é sempre esta paisagem a dimensão maior. 

Hoje a memória quebrada que herdámos das nossas tradições autóctones forja-se tanto a pesquisa, como a deseducação, criatividade e revelação.
Quanto mais quebramos os modelos internos de obediência e adesão a crenças estanques e estéreis a partir da pergunta : a quem serve e beneficia esta verdade e visão?
Mais nos aproximamos da escuta da jornada de tudo o que vive na Terra e nos céus infinitos.
A luz cega tanto ou mais do que as trevas. Quem busca na sombra, encontra a Terra negra e fértil que decompõe, porém renova e regenera. Encontra raízes ancoradas no pó dos ossos dos ancestrais, memória da terra que é a pedra, o potencial infinito das sementes, a Teia da Vida do solo que é o maior olho voltado em permanente abraço aos céus.
O paganismo ou xamanismo não têm estética, todo ele é a beleza rara do incomum, sobretudo daquilo que a cultura decidiu ostracizar. Sejam pessoas, comportamentos, processos orgânicos.
Na Boa Morte, deixemo-nos aprender a morrer para saber viver. Ousemos descer até ao chão coração profundo que leva os adornos e vestimentas, perante o qual ninguém tem estatuto superior a ninguém e somos todos totalmente iguais.
Seremos Terra sempre, seja como for.
Que seja então voluntária e consciente a nossa presença como forças selvagens da Terra Viva, no reencontro com o equilíbrio que só pode iniciar na morte, na decomposição, na transformação da tanta educação estéril que nos atrofia e impede de ser quem nascemos para ser, não uma individualidade saliente mas antes uma íntima e única relação em conexão sistémica às forças vivas da Terra. 

Senhor da Boa Morte
Ensina-nos a partir, quebrar, decair, morrer
Para que possamos renascer erguidos na nossa dignidade e potência ao serviço da Vida.
Senhora da Boa Morte
Dá – nos a mão no entendimento de que a morte e nascimento são portais irmãos no caminho do Espírito Corpo infinito e não uma definição.
Que nos saibamos entregar plenamente chegada a hora.
Tu és o amparo alquímico.
Sejamos as vossas mãos, vossos olhos, vossa voz. 

A fé aqui não é uma crença,
É uma constatação proveniente da experiência de viver de mãos dadas ao que é, verdadeiramente, a Vida enquanto Terra e Universo.
Por si só, é a morte da estrutura económica, educacional e cultural em cada um de nós e o nosso renascer enquanto animais de plena Alma. 

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